Agora, vamos aprender a usar mais algumas ferramentas do programa. Nada muito complicado, mas que costuma provocar dúvidas em quem já está habituado com outros programas de edição de imagens. Para isso, vamos começar por abrir uma foto de dois simpáticos pingüins, cujas cores e corte já foram ajustadas de acordo com as instruções da primeira parte (Figura 1).

Clonagem para remover elementos
Você pode até discordar, mas achamos o pingüim de trás, com seu bico e pés alaranjados, muito mais bonito que o do primeiro plano. Que tal, então, eliminarmos este último da foto? A técnica para isso, que você também poderá usar para corrigir espinhas em fotos de adolescentes, lixo na areia da praia ou qualquer outra coisa que não deveria estar na imagem, consiste em copiar uma área “limpa” da foto sobre o que se deseja remover.
Para isso, selecionamos a ferramenta de clonagem ou “carimbo” (clone-stamp tool), ajustamos o tamanho do pincel e, importantíssimo, clicamos no ponto da imagem de onde queremos copiar o conteúdo enquanto pressionamos a tecla CTRL. A turma do Photoshop vai custar a se acostumar com isso, já que lá a tecla correspondente é a ALT. Com isso, marcamos o ponto a ser clonado – caso seja necessário altera-lo, é só segurar o CTRL e clicar em outro lugar.

Agora, basta segurar o botão do mouse (sem o CTRL) e “pintar” sobre a parte da imagem que você que apagar – o pingüim, em nosso exemplo (Figura 2). Repare que o ponto de origem marcado anteriormente se desloca junto com o destino, o que em algum momento provavelmente fará você copiar algo que não queria ou mesmo sairá da tela, ficando sem nada para copiar – é hora de selecionar a origem novamente.
Olhando o resultado (Figura 3), é difícil acreditar que havia um segundo pingüim na foto. Com alguma prática, você logo estará executando verdadeiras cirurgias plásticas com a ferramenta de clonagem. Naturalmente, ela funciona muito melhor quando temos uma grande área de textura uniforme a partir da qual copiar. Remover o mesmo pingüim da frente de um outro pingüim seria muito mais complicado, pois teríamos que reconstituir os pedaços não-visíveis da ave.

Camadas e mais camadas
Nossa próxima experiência requer algum entendimento da estrutura de camadas (layers) usada na maioria dos softwares gráficos. Quando abrimos uma imagem, ela é considerada a camada de Fundo (background). Clicando com o botão direito sobre o nome da camada, na palheta de camadas normalmente situada na lateral direita da tela, abrimos o menu de camadas, onde escolheremos “Editar Atributos da Camada” (Figura 4). Vamos alterar seu nome para “Pingüim”.

Em seguida, criaremos uma nova camada, clicando no ícone correspondente da palheta de camadas ou via menu “Camada”. Repare que a nova camada pode ter a cor de frente ou de fundo, ser branca ou transparente – escolhemos esta última opção (Figura 5). Também poderíamos definir um tamanho diferente e mudar o nome da camada, mas vamos deixá-la como está, “Nova Camada”.

Para o efeito que desejamos, é necessário trazer a camada “Pingüim” para o alto da pilha, à frente da “Nova Camada”. No Photoshop, depois que mudamos o nome da camada para que não seja mais tratada como fundo, bastaria arrastá-la para a posição desejada na palheta. No GIMP, isso só é possível depois que criarmos o canal de transparência da camada, por meio da opção “Adiciona Canal Alfa” daquele menu que abrimos clicando com o botão direito sobre o nome da camada. Feito isso, é só arrastá-la na palheta ou clicar nos ícones com as setas para cima e para baixo (Figura 6).

Borda com textura ao fundo
Agora vamos clicar no “olho” ao lado da camada “Pingüim” para que ela fique temporariamente invisível e possamos trabalhar com a camada de trás, que deve estar selecionada. Escolhemos a ferramenta de preenchimento (baldinho de tinta) na palheta da esquerda e o modo de preenchimento com textura, no quadro inferior. Clicando na área da imagem, ela será toda pintada com a textura “Pine”, cuja cor achamos que vai combinar com o bico e os pés do pingüim que restou (Figura 7).

Voltamos a clicar no “olhinho” ao lado da camada “Pingüim” para que ela reapareça e, no menu “Camada”, escolhemos o item “Redimensionar Camada”. Vamos reduzir sua largura de 500 para 450 pixels – a altura será reduzida proporcionalmente. O resultado é uma moldura com a textura que aplicamos à camada de trás, visível depois que a camada da foto foi reduzida (Figura 8).

O problema é que, como a redução foi proporcional, a espessura da borda superior e inferior ficou maior que a das laterais – para que isso não acontecesse, teríamos que ter desativado a “correntinha” que garante a proporcionalidade e digitado manualmente os valores de largura e altura ao redimensionar. Mas tudo bem, pois vamos usar essa diferença em nosso favor, clicando na camada “Pingüim” e movendo-a um pouco para cima, de modo a igualar a borda superior às laterais e criar um espaço onde incluiremos o título da foto (Figura 9).

Caixa de título com sombra
Para criar um fundo branco para o título, criaremos mais uma camada, batizada de “Nova Camada #1”. Com ela selecionada, usaremos a ferramenta de seleção retangular (a primeira da palheta de ferramentas) para marcar um retângulo de largura um pouco menor que a da foto do pingüim cobrindo metade da área inferior da moldura e continuando com a mesma altura por sobre a foto. Depois, escolhemos a ferramenta de preenchimento, a cor branca e clicamos na área selecionada para pintá-la (Figura 10).

A área recém-criada não é perfeita para colocarmos um título para a foto? Basta escolher a ferramenta de texto (a letra T na palheta da esquerda), selecionar a fonte e o tamanho desejados e clicar no lado esquerdo do retângulo branco. Também é possível ajustar o tamanho e a fonte depois de digitar o texto, para que ele fique melhor ajustado, ou arrastar a camada inteira, para alinhá-la (Figura 11).

Como toque final na composição, vamos dar um efeito de sombra na caixa de título. No Photoshop isso seria facílimo, já que o efeito “Drop-Shadow” resolve tudo. Como o GIMP ainda não tem esse tipo de efeito de camada, teremos que fazer tudo “na mão”. O primeiro passo é duplicar a camada do retângulo branco e pintar a que estiver mais para trás de preto, clicando no olho para tornar a da frente invisível (Figura 12).

Agora, clicamos no menu “Filtros”, Desfocar e “Desfocagem Gaussiana”

(Gaussian Blur). Para o tamanho desta imagem, escolhemos um raio de 25 pixels, ideal para deixar o retângulo preto bem borrado, como deve ser a sombra que queremos (Figura 13). Depois, é só mover a camada levemente para baixo e para a esquerda, que o trabalho está completo (Figura 14).

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Famoso editor gráfico para Linux em versão Windows, que está completando este ano 13 anos de história. Durante esse tempo todo o GIMP foi sendo desenvolvido e melhorado. Hoje em dia ele pode brigar de igual para igual com o Photoshop. Se você está precisando de uma alternativa ao Photoshop, use o GIMP. Pode ser usado tanto como um simples programa para pintura quanto para retocar fotos, renderizar e converter imagens. Se você gostou das funções do GIMP, mas prefere a cara do Photoshop, use o GIMPShop que transforma a interface do GIMP idêntica ao Photoshop.
Roda em Windows 2000, XP, 2003, Vista
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Nos últimos anos os programas de código aberto entraram na moda. O sistema operacional Linux é o exemplo mais famoso, mas serve para muito pouco sozinho – sua utilidade só aparece mesmo depois que instalamos as ferramentas de produtividade. E, quando falamos em aplicativos open-source, o pacote de escritório OpenOffice, e o navegador Firefox, também testado, vêm logo à cabeça – afinal, não é para escrever e navegar na Internet que a maioria dos usuários mais usa o computador?
O que pouca gente sabe é que esses programas estão longe de serem exemplos de pioneirismo em código aberto. O título, segundo a Wikipedia, vai para o software de tratamento de imagens GIMP, abreviatura de GNU Image Manipulation Program, que acaba de completar dez anos de vida. Suas origens, naturalmente, estão no mundo Linux, mas desde 1997 a versão para Windows vem sendo desenvolvida em paralelo.
O GIMP, atualmente em sua edição 2.2, não é a coisa mais fácil do mundo de usar – principalmente por quem já está acostumado ao Photoshop ou equivalente. Também não é o programa de tratamento de imagens mais poderoso do mundo, mas é definitivamente o mais barato – totalmente gratuito – dos aplicativos de nível profissional. E foi por isso – e para comemorar seu aniversário – que o escolhemos para este tutorial básico de tratamento de imagens.
Instalação requer alguma atenção
A primeira complicação para quem vai instalar o Gimp é o fato de que sua distribuição oficial não vem compactada em um único arquivo de instalação: é preciso fazer o download de pelo menos dois pacotes, possivelmente uns quatro ou cinco. A página da última versão estável do GIMP para Windows traz os links principais: o ambiente de execução GTK+ 2, o GIMP propriamente dito e, caso necessário, os pacotes de ajuda e de animações. É só baixá-los e instalar um por um, sem inverter a ordem.

Terminada a instalação do GIMP, configuramos tudo com os valores padrão e executamos o programa para dar de cara com a segunda complicação, a estrutura de janelas. Diferente dos programas típicos do Windows, o GIMP abre cada uma de suas janelas e palhetas como um programa separado (Figura 1). Lembra um pouco os programas de Mac e, segundo os fãs de Linux, só não faz muito sentido no Windows.
Na Figura 2, assim como na 1, capturamos as telas do GIMP sobre uma área de trabalho cinza, para Fig. 02não confundir, mas na prática elas ficam flutuando sobre qualquer coisa que esteja aberta, fazendo uma bagunça tremenda. O pior mesmo é na hora de navegar entre os programas: o ALT+TAB salta de uma janela para outra do GIMP e, para restaurá-las, é preciso clicar em uma por uma na barra de tarefas!

Conhecendo a interface
Com o GIMP funcionando de modo relativamente amigável, tratemos de explorar alguns de seus recursos mais básicos. Não, não estamos falando dos pincéis e latinhas de tinta – esses qualquer criança consegue experimentar, mas não espere nenhuma obra de arte. Vamos começar por algumas dicas simples de tratamento de fotos digitais, e o primeiro passo é abrir uma – basta clicar em “Arquivo – Abrir”

A interface do GIMP é um pouco diferente da padrão do Windows – repare nos ícones das unidades de disco, por exemplo – e pode confundir um pouco, mas nada que chegue a assustar. Só lamentamos não poder arrastar imagens das janelas do Windows Explorer (onde é muito mais fácil selecioná-las) direto para o GIMP, como fazemos em outros programas gráficos, e não poder usar as mesmas teclas de atalho a que estamos acostumados no Photoshop.
Agora que a imagem está aberta, podemos identificar as três principais áreas de recursos do GIMP: a palheta de ferramentas, à esquerda, a de camadas e pincéis, à direita, e a barra de menu, no alto da janela da imagem. É claro que dá para arrastar as duas palhetas laterais para onde você quiser, mas esta é a disposição padrão. Aqui, a principal diferença em relação a um Photoshop da vida é a posição da barra de menu, na própria janela da imagem, e não no alto da tela.

Ajuste de níveis
Para começar a brincar, que tal ajustar a iluminação da nossa foto? Só esta ação, facílima de realizar, já costuma fazer milagres em imagens muito escuras ou sem contraste. Vamos clicar em “Ferramentas – Ferramentas de Cor – Níveis” para abrir a janela correspondente. Você tanto pode experimentar o modo automático, que pode funcionar muito bem ou muito mal, de acordo com as características da foto, quanto fazer os ajustes manualmente.
Se optar pelo caminho manual, o segredo é entender como funciona o gráfico dos tais níveis. Chamado de histograma e também exibido no display de algumas câmeras digitais depois da captura da foto, esse gráfico mostra a distribuição dos níveis de luz na foto. Se estiver muito concentrado de um lado, a foto provavelmente está mal exposta (existem exceções: as fotos de cenas naturalmente muito claras ou escuras).
A correção, se necessária, pode ser feita arrastando as setas que aparecem sob o gráfico de modo a deixar a área de maior concentração (as montanhas do gráfico) entre as duas setas das extremidades – foi o que fizemos no exemplo anterior, clareando bastante as áreas escuras da imagem original. Se o efeito for muito radical, tente deixá-las a meio caminho – é só experimentar e ver qual a melhor posição.
Um outro caminho é clicar em um dos dois conta-gotas desta janela e depois numa área da imagem que deveria ser totalmente preta (conta-gotas da esquerda) ou branca (direita), para que o programa reajuste toda a exposição a partir daí. Só tome cuidado porque esta ferramenta pode bagunçar totalmente o balanço de cores da imagem (o que não necessariamente é ruim – alguns efeitos podem ter sua utilidade).

Alterando o corte
Outro recurso muito simples, mas que é capaz de ressuscitar fotos dadas como perdidas, é o corte. Por melhor que seja o fotógrafo, dificilmente o enquadramento que sai da câmera é o melhor possível – aliás, hoje em dia se obtêm resultados muito melhores deixando alguma folga ao redor do assunto na hora de clicar e decidindo o enquadramento depois, no computador.
No exemplo da Figura 6, usamos a ferramenta de corte (a última da segunda linha da palheta da esquerda) para marcar um retângulo vertical na lateral da foto. É uma alteração radical: saímos de uma imagem horizontal para uma vertical, para destacar mais o lustre. Na janela que aparece depois que arrastamos o mouse, temos a opção de cortar direto ou de definir valores em pixels para altura, largura e posição do corte.
Repare que, neste caso, estávamos com a opção “redimensionar” selecionada, na parte de baixo da palheta da esquerda. Com isso, podemos alterar o tamanho final da área recortada, ajustando-a às dimensões especificadas na janela. O resultado é uma foto com exatos 1.200 x 1.600 pixels, a resolução típica de uma câmera de 2 megapixels, embora a foto original tivesse 5 MP.
A outra alternativa seria o modo “cortar”, em que a área selecionada não é reduzida nem ampliada. Se você pretende imprimir a foto, a melhor costuma ser a opção “redimensionar”, junto com a definição de dimensões compatíveis com o formato do papel que será usado. Como é possível alterar a unidade para milímetros para cortar a foto no tamanho exato, poderíamos digitar logo 10 x 15 cm, por exemplo.

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